Tendências para aproximar a criançada do universo cultural - Folha de Alphaville
14/12/2018
ESPECIAIS
Tendências para aproximar a criançada do universo cultural
Galerista ensina como escolher telas, gravuras e esculturas para deixar os quartos mais charmosos
Graziela Costa
O lúdico pode, muitas vezes, se misturar a uma arte consagrada (Tony Duque)

Quando o assunto é decorar o quarto das crianças as primeiras referências que nos vêm são objetos delicados e ‘fofos’, mas os pequenos crescem, e os quartos deles também precisam acompanhá-los. A educação visual pode começar desde cedo, e a decoração do ambiente no qual ela passa a maior parte do tempo exerce uma influência maior do que se imagina. É por isso que, investir em obras de arte nos espaços infantis desde a primeira idade é um incentivo e tanto para o desenvolvimento do olhar da criança para o universo artístico. E o melhor: são para a vida toda e servem para todas as idades.

De acordo com a galerista e marchand Livia Doblas (www.liviadoblas.com.br), que trabalha com diversas seleções de obras para esses tipos de espaço, além de promoverem um contato produtivo da criançada com o mundo cultural, também prendem a atenção delas, ao mesmo tempo em que distraem e acalmam.

Para provar que nem só de pelúcia e boneca de pano vive a decoração de um quarto infantil, e que o lúdico pode, muitas vezes, morar em uma arte consagrada, a galerista separou algumas dicas para direcionar os pais que querem investir em telas, quadros ou esculturas. Confira!

Priorize cores e humor
O colorido e o humor nas obras prendem a atenção, distraem e acalmam a criança. A obra de arte na primeira infância pode ser tão marcante quanto um brinquedo preferido, já que os pequenos criam um vínculo afetivo. As crianças muito pequenas, principalmente, vêm a obra em busca de signos, paradigmas e da novidade. Quando está um pouco maior, ela já começa a ter um olhar educado e com referências do que é arte. Muitos têm apego a ideia de que tudo deva ter tonalidades pastel, como as cores rosa, azul e bege bem claros, um conceito ultrapassado. Geralmente as telas e gravuras têm um humor mais refinado, como as do artista Gustavo Rosa, por exemplo, que utiliza animais e objetos considerados infantis de forma criativa.

Posicione a obra para promover interação
Para bebês ou os bem pequenos, o ideal é que eles consigam ver as obras de arte ou parte delas do berço ou da cama, para terem o campo visual preenchido com algo que as distraia e signifique uma presença acolhedora. Cores ou tamanho dependem do estilo adotado para a decoração, já que a escolha dos artistas acaba sendo mais o gosto dos pais quando a criança é muito pequena.

Invista também em esculturas
Diferente dos quadros, as esculturas podem ser manipuladas, estimular mais o sentido do tato e o fato de ter tridimensionalidade desperta mais curiosidade na criança. Elas se aproximam mais de um “boneco” para criança. Evidente que, de acordo com a idade, ela não poderá ter pontas que machuquem ou peças soltas que a criança possa engolir. Na arte contemporânea encontramos os mais diversos materiais para esculturas.

Escolha bem a temática
Quando escolhemos obras de arte não podemos nos prender a cores ou molduras, o tema tem que tocar e emocionar. Nessa hora entra o trabalho de uma consultoria de arte por profissionais como Livia Doblas. No meio de tantas temáticas, como a de pássaros, cachorros, gatos, lambretas, Kombis, fuscas e outros, escolher algo muito ‘sisudo’ e amedrontador pode causar apreensão na criança. Artistas como Aldemir Martins, por exemplo, trazem figuras como ‘família’, gatos, futebol, e várias outras que são de fácil associação e identificação para a criançada.