Para 76% das micro e pequenas indústrias crise ainda é forte - Folha de Alphaville
24/08/2018
ECONOMIA
Para 76% das micro e pequenas indústrias crise ainda é forte
Sete em cada dez dirigentes afirmam que o cenário segue afetando os negócios. Resultado é o pior da série histórica em julho
Gláucia Arboleya

A expectativa das empresas sobre a retomada do crescimento da economia atingiu o pior resultado da série histórica em julho. É o que mostra a 65ª rodada do Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, encomendado pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi) ao Datafolha.

Para 76% das Micro e Pequenas Indústrias (MPI’s),  a crise ainda é forte e segue afetando os negócios, sem previsão de melhora. O índice, em alta desde fevereiro de 2018 com 53%, configura o pior número desde o início da consulta, em abril de 2017.

Segundo o presidente do Simpi, Joseph Couri, “desde o começo do ano estamos vivendo o aumento do pessimismo entre os empresários e a expectativa para os próximos meses é ainda de instabilidade”.

O otimismo com a economia do país despencou de 41% em janeiro deste ano para 19% no mês de julho, o mais negativo desde março de 2016. Para mais da metade dos empresários (51%), a expectativa é de que o cenário “vai ficar como está”, e para quase 1/3 deles (27%), irá se agravar.

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Barueri (Acib), Moacyr Correa Felix, a imprevisibilidade do resultado das eleições e a descrença na eficiência do Estado são algumas das responsáveis por esta visão. “O setor industrial precisa de bases sólidas ligadas à segurança nos âmbitos jurídico, social e político para confiar no crescimento da economia brasileira, recuperar suas perdas e gerar empregos. Precisamos garantir que o governo aumente sua eficiência, equilibre seus gastos, trabalhe com responsabilidade para aprovar reformas estruturais, invista em desburocratização e crie um ambiente macroeconômico mais estável, que viabilize a retomada de investimentos e traga confiança ao industrial”, disse.

Cheque especial
Em julho, a porcentagem dos empresários que buscaram cheque especial para ter acesso à capital de giro foi de 20%; o aumento de julho em comparação ao mês de junho (13%) representa a maior alta desde fevereiro de 2017, quando 21% dos dirigentes optaram pelo recurso.

O empréstimo pessoal saltou de 2% em junho para 9% no mês seguinte; já a linha de crédito para pessoa jurídica – menor taxa de juro entre as três modalidades de crédito - foi de 3% para 8%, no período citado; percentual ainda insuficiente.