O caso arrascaeta   - Folha de Alphaville
11/01/2019
COLUNISTAS
O caso arrascaeta  
A maior transferência da história do futebol brasileiro teve bastidores horripilantes. Ao final prevaleceu o que quase sempre prevalece, não só no futebol, como na vida: o dinheiro.  
Colunista da Folha de Alphaville

Quando se interessou por Arrascaeta o Flamengo procurou o agente do atleta e ofereceu três vezes o que ele ganhava no Flamengo. Mas empurrou para o próprio jogador a tarefa de se desligar do seu clube. A partir daí o uruguaio passou a criar uma série de problemas no clube mineiro a ponto de sumir dos treinamentos e viajar para Montevidéu sem que o Cruzeiro autorizasse. E a confusão foi formada.

Num primeiro momento, como era de se esperar, o Cruzeiro reagiu, disse que iria à FIFA pedir seus direitos e que exigia isso e aquilo para negociar o jogador. As pessoas que gostam das coisas corretas e honestas passaram, então, a defender o time mineiro considerando absurdas as condutas do Flamengo e, principalmente, do jogador e do seu procurador. Mas aos poucos tudo foi se tornando mais claro.

Quando chegou no Uruguai o agente do atleta, ao invés de baixar a bola, passou a fazer várias exigências. Disse que só negociaria lá, no seu país, e com outro dirigente representando o Cruzeiro, não aquele que havia defendido os interesses do clube mineiro com ênfase e determinação. Estranhamente o Cruzeiro aceitou todas essas exigências. Mandou outro diretor a Montevidéu e entrou num acordo com o Flamengo, do jeitinho que o jogador e seu procurador queriam. Ou seja: quem defendeu o Cruzeiro ficou com cara de idiota, já que o próprio Cruzeiro deixou de defender o Cruzeiro.

Conclusão: o dinheiro acabou determinando o desfecho do caso. Com muito dinheiro destinado ao Cruzeiro e outra bolada ao jogador e ao seu agente o Flamengo contratou Arrascaeta. Predominou o interesse financeiro. Às favas com decência, ética, desportividade e com os valores educativos que o esporte deveria transmitir. Todos encheram os bolsos e fim de papo.




Jornalista e administrador esportivo. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do país, foi gerente de futebol do Grêmio Barueri e secretário de esporte da cidade. Atualmente é âncora e comentarista da Rádio Transamérica.