O outro lado - Folha de Alphaville
14/12/2018
CADERNO A
O outro lado
Moradora de Alphaville lança livro sobre a violência que atinge os policiais militares e prepara outro título sobre o cenário feminino
Graziela Costa
Objetivo da publicação é mostrar a missão diária do policial, quando sai às ruas (Foto: Michela Brígida/Folha de Alphaville)

Segundo levantamento da Ordem dos Policiais do Brasil (OPB), de janeiro a agosto de 2017, 482 policiais foram mortos em serviço ou em decorrência da profissão. Em São Paulo, de 2001 a 2017, morreram 1.147 policiais. Até agosto deste ano, já são mais de 70 mortos só no Rio de Janeiro. Em outros estados como Bahia, Ceará, Goiás e Alagoas, os índices também chamam a atenção. O cenário de violência que atinge o dia a dia dos policiais militares foi o mote do livro “Linha de Tiro – O Desafio de ser Policial” (Fontenele Publicações), da pesquisadora e escritora Roberta Baroni, moradora de Alphaville, que acabou de lançar a segunda edição da publicação.

“Falar de segurança pública sempre foi minha maior motivação, tanto que quando comecei a fazer faculdade de Direito, a intenção era tornar-me promotora”, ressalta. Pesquisadora nata, em 2017, após um acidente em que precisou passar por uma cirurgia e teve que ficar ‘presa’ na cadeira de rodas, segundo ela, ou entrava em depressão ou tomava outro caminho, preferiu escrever o livro.

"Quando comecei a fazer as pesquisas, entrevistar este ou aquele agente, ver aumentar os índices de morte entre esses profissionais, foi que resolvi ampliar o trabalho de investigação sobre quem eram e como era o dia a dia deles, desde o treinamento até a incursão nas ruas”.

Ela conta que foram meses de pesquisa em órgãos que têm as informações sobre todas as ocorrências policiais de São Paulo, inclusive a Secretaria de Segurança Pública. “Nenhum dado do livro é ficção, criado para prender a atenção do público, ali tudo é real ao extremo”, explica.

Roberta disse que trabalha com dois computadores dedicados em tempo real apurando ocorrências em São Paulo e Rio de Janeiro. “Desta forma tenho todos os dias dados reais, quase imediatos, de tudo que acontece no ambiente da Segurança Pública de ambos os estados. Recebo o local, a ocorrência, os envolvidos e o desfecho de cada ocorrência. As vezes me sinto assistindo um filme de terror diariamente. É uma loucura diária”, comenta.

Para ela, o objetivo da publicação é mostrar a missão diária do policial, quando sai às ruas. “Por trás das fardas, existem seres humanos como nós, pais e mães de família, que escolhem essa profissão por algo muito maior que nós desconhecemos, e que certamente não é o dinheiro, é um espírito que nasce neles, uma religião”, avalia.

Apesar das baixas, segundo a autora, a polícia de São Paulo é muito bem preparada. “Tem uma grande capacitação técnica e pessoal. Desde a Guarda Civil de Barueri e a de Santana de Parnaíba, que são muito bem equipadas, toda polícia atua com a intenção de antecipar qualquer acontecimento. A criminalidade também tenta aprimorar seus métodos, mas a polícia está plenamente preparada para atuar e saturar qualquer novo acontecimento”.

Alphaville
Sobre a segurança no bairro, a autora arrisca dizer que é muito bem preparada. “Temos um patrulhamento diário, eficiente e com um “ espelho” do modelo utilizado pelo COPOM, analisando todas as vias. Aqui tudo está sendo observado online, com isso a resposta se torna muito eficaz. Admiro muito essa organização que as prefeituras se propuseram em investir. Precisamos instituir aqui a “vizinhança solidária”, com esse projeto certamente iremos blindar ainda mais a investida do crime”, finaliza.

Elas na linha de tiro
Roberta já prepara outra publicação a respeito do assunto, “Elas na Linha de Tiro” – Tem Batom Nessas Caveiras, que tem um modelo diferente. “Serão relatos de várias guerreiras, de diversas patentes e batalhões, descrevendo a motivação, o dia a dia, a vida em família e suas ocorrências. Já comecei as pesquisas”. Em paralalo, a autora pretende publicar um livro de fotos inéditas do Patrulhamento Aéreo, “ o Ninho das Águias” e as histórias que marcaram esse grupamento.