Marcelo Médici celebra 30 anos de palco em comédia que conta a história do teatro - Folha de Alphaville
24/08/2018
CADERNO A
Marcelo Médici celebra 30 anos de palco em comédia que conta a história do teatro
Ator estreia “Teatro para quem não gosta” ao lado do parceiro da cena cultural, Ricardo Rathsam
Graziela Costa
Médici e Rathsam encarnam 12 personagens em 90 minutos de espetáculo (Foto: Jairo Goldflus)

Parceiros de longa data na cena cultural, Marcelo Médici e Ricardo Rathsam subiram ao palco do Teatro Faap nesta quinta-feira (23) para estrear “Teatro para quem não gosta”. Na comédia, eles tentam solucionar o mistério sobre um futuro próximo onde não existem mais palcos e, para isso, reproduzem toda a história do teatro, da Grécia antiga à atualidade. “Ricardo me ajudou na criação de personagens e textos quando participei da “Terça Insana”, no primeiro ano do projeto. Depois disso, me chamou para dirigir seu primeiro texto em 2003, chamava “Enquanto não fazemos novela”, e no ano seguinte, me dirigiu no solo “Cada um com seus Pobrema”, que faço até hoje em temporadas esporádicas”, explica Médici. Eles também fizeram juntos a comédia “Eu era tudo pra ela… e ela me deixou, de Emilio Boechat, e, em 2014, “Cada 2 com seus pobrema”, com direção da Paula Cohen.
Com tanta sinergia, criar o texto ao lado de Rathsam foi natural. “Essa ideia do futuro sem teatro é do Ricardo, na verdade uma crítica a tudo que o teatro sempre passou e passa. Com a crise financeira que assola o país, o teatro se encontra novamente numa fase bem difícil. Estrear uma peça nesse momento, sem nenhum patrocínio, acaba sendo um ato de resistência, mas achamos que é nossa obrigação fazer isso, principalmente agora”, diz Médici.

Ao longo da peça, eles se dividem para encarnar 12 personagens e encenam em 90 minutos clássicos como “Romeu e Julieta”, “O doente imaginário”, “Édipo Rei”, “A Pequena Sereia”, passando pelo teatro de revista, do absurdo e musical. “Eu sempre juro a mim mesmo que faarei espetáculos com menos personagens, e o número só aumenta a cada nova peça”, brinca. Ele diz que o espetáculo conta com a contribuição tive de Kleber Montanheiro, que fez um cenário “absolutamente funcional”, e de Fabio Namatame, que assina os figurinos. “É simplesmente um mágico, não é à toa que é o figurinista mais premiado da cena teatral, ele é o melhor”, diz.

O espetáculo fica em cartaz até setembro, mas Médici garante que a história pode mudar. “Na verdade, nenhuma peça minha tem data para acabar, o teatro dura o tempo que o público decide”, avalia.

Em janeiro, ele começa a gravar “Orfãos da Terra”, nova novela de Duca Rachid e Thelma Guedes, da Rede Globo, “mas nada impede que consiga uma brecha para fazer o espetáculo no Rio, enquanto estiver gravando, e depois voltar a São Paulo”, antecipa.

Para ele, “Teatro Para Quem Não Gosta” é um tipo de espetáculo atual, mas que nunca ficará datado. “Porque o teatro às vezes enverga, mas não quebra. Gente de teatro é tinhosa”, finaliza.