Campanhas eleitorais mais baratas pedem criatividade dos candidatos - Folha de Alphaville
06/07/2018
POLÍTICA
Campanhas eleitorais mais baratas pedem criatividade dos candidatos
Com os limites de gastos defnidos para a Eleição 2018, políticos devem apelar para as redes sociais para driblar falta de dinheiro
Gil lancaster e Bruna furlan terão de economizar na campanha de 2018 (Foto: Alesp/ Câmara Federal)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou na última semana os limites de gastos de campanha eleitoral por cargo eletivo e os limites de contratação pessoal a serviço das campanhas nas Eleições 2018.

Conforme antecipado pela Folha de Alphaville em março, os políticos da região oeste da Grande São Paulo que venceram a disputa na última eleição terão que economizar na tentativa de se reeleger neste ano. Nas campanhas para o cargo de deputado federal, o limite de gastos é de R$ 2,5 milhões. Para os candidatos a deputado estadual ou distrital, o valor máximo a ser gasto é de R$ 1 milhão.

Entre os sete cotados para buscar mais um mandato na Câmara e na Assembleia Legislativa que são da região oeste, cinco ultrapassaram estes valores em 2014. O limite foi divulgado pela Justiça Eleitoral.

Como exemplo, a deputada federal Bruna Furlan (PSDB) gastou R$ 2.714.931,47 em sua campanha, valor acima do estipulado para esse ano. O deputado estadual Gil Lancaster (DEM), candidato à reeleição teve despesas de R$ 1.679.270,41 na disputa, valor que estaria acima do teto para 2018. A queda no limite exigirá uma postura mais criativa dos candidatos.  A

lém disso, não será permitida a doação de repasses de empresas na disputa eleitoral. No último pleito, 60% dos recursos gastos na eleição da região vieram de pessoas jurídicas. 

Presidente e governo
O teto de gastos para os cargos de presidente da República foi fixado no valor de R$ 70 milhões para o primeiro turno das eleições, com acréscimo de R$ 35 mi caso haja um segundo turno.

Já para os cargos de governador e de senador, os limites vão variar de acordo com o eleitorado de cada estado. Em São Paulo, o valor fixado é de R$ 21 milhões para o governo e de R$ 5,6 milhões para o Senado, sendo os maiores tetos do país.

Também foram divulgados os números de contratação de funcionários para às atividades da campanha. O número vale para contratação direta ou terceirizada. Para campanhas à presidência e ao senado em São Paulo, poderão ser contratadas 9.324 pessoas. Para o cargo de governador o número chega a 18.648. Em relação aos deputados federais, são permitidos até 6.527 contratações e 3.264 para os estaduais.


Solução
O cientista político e professor da USP, Glauco Peres, aponta que o limite influenciará nas campanhas, em especial nas estratégias. “Vai exigir que os candidatos sejam criativos na maneira de contatar os eleitores”, avalia.

Em relação à doação de empresas na disputa eleitoral, Peres avalia que com a nova regra eleitoral de proibição de fnanciamento empresarial, os principais acionistas, sócios, diretores e proprietários de empresas farão doações como pessoa física para as campanhas. “As chances de isso ocorrer
aumentam bastante. Doariam pelos seus CPFs e não pelos seus CNPJs”, diz.

A alternativa mais óbvia, na opinião do especialista, são as redes sociais. Segundo ele, ainda não é possível medir o retorno, mas é a maneira mais barata de atingir um amplo eleitorado.

Uma saída para arrecadação de fundos é o financiamento coletivo de campanhas eleitorais, previsto na reforma eleitoral de 2017. Nesta modalidade, podem ser aceitas doações por meio de aplicativos, sites da internet e outros recursos similares, desde que respeitadas as instruções da justiça Eleitoral.

Contudo, Peres não acredita que essa será uma alternativa usada pelos políticos. “Apesar do uso da internet, esse mecanismo é semelhante aos praticados pelos partidos europeus no início do século XX, a partir das doações de seus filiados. É preciso ser mais criativo”, conclui. (Ana Lethicia Maezano)