Mulheres representam 13% dos candidatos eleitos em 10 anos, aponta pesquisa - Folha de Alphaville
08/06/2018
POLÍTICA
Mulheres representam 13% dos candidatos eleitos em 10 anos, aponta pesquisa
Nas cidades da região, número ainda é menor, há apenas 7,8% de mulheres na Câmaras
Hildeberto Jr
Bruna é a única representante da região na Câmara Federal (Foto: Tom Vieira Freitas)

Apenas 13% dos candidatos eleitos nas últimas cinco eleições gerais e municipais realizadas no Brasil são mulheres, aponta a pesquisa “Um olhar sobre a participação da mulher na política brasileira nos últimos 10 anos” feita pelo Pulso Público e encomendada pelo Movimento Transparência Partidária, divulgada recentemente. De acordo com o estudo, em 2010, o país teve 3.618 mulheres candidatas, das quais 193 foram eleitas. Já em 2014, foram 6.470 candidatas, mas 177 venceram os pleitos. Na região, o cenário também é de disparidade. 

Em Barueri, dos 541 candidatos a vereador em 2016, 170 eram mulheres, equivalente a 31,42%; mas, nenhuma foi eleita. Em Santana de Parnaíba, foram 97 candidatas, contra 200 homens. Conquistaram vaga na Câmara apenas duas mulheres. Entre os 141 vereadores das oito cidades da região, apenas 11 são mulheres, o que corresponde a 7,8% do parlamento municipal. Em Santana de Parnaíba, foram 97 candidatas, contra 200 homens. Conquistaram vaga na Câmara apenas duas mulheres. Entre os 141 vereadores das oito cidades da região, apenas 11 são mulheres, o que corresponde a 7,8% do parlamento municipal (leia ao lado). Em âmbito nacional, a pesquisa mostra que a proporção de mulheres eleitas em relação à quantidade de candidaturas vem caindo. Nas eleições dos últimos 10 anos, esse número foi 40% inferior quando comparado aos dos homens. Na média, 6% das mulheres conseguiram se eleger, enquanto, entre os candidatos homens, 15% saíram vitoriosos.

Para o cientista político Marcelo Issa, do Movimento Transparência Partidária, essa baixa participação das mulheres na política se deve à cultura machista do país e a falta de apoio dos partidos às candidaturas femininas. “Em primeiro, a própria cultura nacional estabelece a política como lugar reservados aos homens. Por outro lado, existe uma participação pouco efetiva das mulheres nos partidos políticos; e há pouco apoio dos partidos às candidaturas das mulheres. Como as legendas são machistas, elas oferecem pouca estrutura e apoio econômico para candidaturas femininas, o que causa esse resultado”, explica.
 
Presença

Como forma de aumentar a presença feminina nas estâncias de poder, o estado brasileiro vem criando e discutindo leis. Em 2009, uma reforma eleitoral aprovada pelo CongressoNacional determinou que os partidos fossem obrigados a inscreverem 30% de mulheres nas chapas proporcionais e estabeleceu que 5% do Fundo Partidário deve ser destinado às candidaturas femininas. Mais recentemente, no último dia 22 de maio, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que pelo menos 30% do Fundo Especial de Financiamento de Campanha devem ser gastos em candidaturas de mulheres. O Fundo é composto por recursos públicos da ordem de R$ 1,7 bilhão. Ele foi criado no ano passado para aumentar o dinheiro à disposição dos candidatos, uma vez que as doações empresariais estão proibidas. Também ficou decidido que 30% do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão será destinado a candidaturas femininas. 

Medidas como essas têm surtido efeito e provocado o aumento no número de candidaturas de mulheres nos últimos anos. O levantamento, encomendado pelo Movimento de Transparência Partidária, mostra que nas últimas eleições municipais houve crescimento de quase 100% na quantidade de candidatas na última década. Em 2008, eram pouco mais de 74 mil mulheres concorrendo aos cargos de chefe dos executivos municipais e vereadoras. Em 2016, foram mais 147 mil candidatas em todo o país. Se em 2008 elas representavam apenas 21% do total de candidaturas, em 2016 já eram 32%. As candidaturas femininas para presidente da República, deputada federal, senadora, governadora e deputada estadual também aumentaram quase 80% nos últimos 10 anos, segundo o estudo.

Única mulher representanteda região oeste da Grande SãoPaulo na Câmara Federal, a deputada Bruna Furlan (PSDB), pré-candidata à reeleição, dizque na formulação de políticas públicas, a sensibilidade da mulher é importantíssima nessemomento. “Com certeza teremos nessa eleição uma grande renovação na Câmara dos Deputados e um aumento significativo da participação das mulheres” 

Pró-forma

Segundo o cientista político, as medidas não têm sido suficientes para aumentar a participação efetiva das mulheres na
política. “Há muitos casos de candidaturas fantasmas, que são registradas apenas para os partidos cumprirem a lei. Então, essas candidaturas não recebem o apoio necessário para serem bem-sucedidas. Por isso, veio em boa hora essa decisão do TSE, que pode dar efetividade a essa regra de cotas”. 

Mulheres são minoria em oitos cidades da região

Entre os 141 vereadores das Câmaras das cidades de Barueri, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom
Jesus, apenas 11 são mulheres, o que corresponde a 7,8% de participação feminina nos legislativos municipais, de acordo com levantamento feito pela
Folha de Alphaville. Em comparação com o quadro de eleitos em 2012, não houve alteração. No entanto, o número de legislativos sem nenhuma
representante mulher passou de dois para três, entre 2012 e 2016. Em Barueri, Cotia e Jandira não há nenhuma vereadora exercendo o mandato atualmente.Proporcionamente,o município de Pirapora do Bom Jesus é o que tem maior participação feminina, já que dos nove vereadores, dois representam o gênero. O índice da região está abaixo da média nacional, que é de 13% .