15/01/2018
IMÓVEIS
Maioria das compras é feita sem consultoria
Especialistas alertam sobre a importância da intermediação
Gláucia Arboleya
Hoje, 56% do processo de decisão para compra ou locação é feito on-line (Rldo/123RF)

Com o crescimento do uso da internet têm se intensificado a discussão sobre os compradores de imóveis encontrarem, cada vez mais, o que desejam,
sem o respaldo de uma consultoria. Segundo estimativas do Sindicato da Habitação (Secovi -SP), cerca de 70% dos negócios de compra e venda de imóveis se concretizam fora das imobiliárias. Ou seja, apenas 30% das pessoas têm orientação e acompanhamento adequados.

Hoje, 56% do processo de decisão para compra ou locação é feito on-line, de acordo com informações do Google Think Real Estate – Mercado Imobiliário. Os potenciais compradores também estão visitando mais sites (seja de incorporadoras ou de imobiliárias), em vez de ir fisicamente às empresas. São quase cinco visitas online contra 3,5 pessoalmente.

As informações prioritárias, como, por exemplo, preço do metro quadrado, valor do aluguel, média de valores na região e redondezas, antes repassadas pelos corretores, atualmente estão disponíveisonline.  Este tipo de comportamento dos compradores mencionado se reforça: 52% para ver fotos e vídeos do produto; 39% para checar va lores de mercado; e 38% para comparar opções.

O diretor da vice-presidência de Intermediação Imobiliária e Marketing do Secovi-SP, Luiz Fernando Gambi, alerta sobre a importância da expertise necessária para que o negócio seja feito com segurança. “Vamos imaginar que existisse um robô que analisasse todas as possibilidades de imóveis existentes e todos os compradores interessados e fizesse match perfeito entre ambos. Ainda assim, teríamos, no final, um momento em que duas pessoas físicas não habituadas a uma transação desse tipo precisariam formalizar e estruturar um negócio juridicamente complicado”, exemplifica Luiz.

“A maioria das pessoas vai vender ou comprar um imóvel apenas uma vez na vida. Pode ser que todo o patrimônio dela esteja em jogo e, em razão disso, acabe superestimando ou subestimando questões como valor sentimental, preço e riscos existentes”, ressaltou. Vale lembrar que a lei brasileira não garante que, pagando por um imóvel,  utomaticamente ele se torne propriedade do pagador. O imóvel transacionado pode acabar sofrendo questões judiciais e o resultado chegar ao cancelamento da venda. De acordo com ele, o Código Civil prevê a obrigação de o corretor prestar espontaneamente todos os esclarecimentos acerca da segurança ou do risco do negócio. “É interessantíssimo ao cliente contar com esse serviço, que é especializadíssimo e prestado somente por profissionais credenciados”, esclarece Jaques Bushatsky, coordenador geral do Programa Qualificação Essencial do Secovi-SP (PQE).