Gianluca Petecof: cada vez mais perto da Fórmula 1 - Folha de Alphaville
21/12/2017
ESPORTES
Gianluca Petecof: cada vez mais perto da Fórmula 1
Morador de Alpha conta seus objetivos ao chegar à Fórmula 4
Lucia Camargo Nunes
em maranello. Na Europa, Gianluca terá Enzo Fittipaldi, neto de Emerson, como companheiro de equipe. Foto: Victor Silva/Folha de Alphaville

E m 2002, quando Gianluca Petecof nascia, Michael Schumacher vencia mais um mundial da Fórmula 1 (5º da carreira e 3º seguido). Mas foi outro alemão que serviu de inspiração ao menino que cresceu em Alphaville curtindo automobilismo: Sebastian Vettel, tetracampeão entre 2010 e 2013.

Com 15 anos recém-completados, Gianluca acaba de dar um grande passo na carreira ao ser aprovado para a Academia Ferrari de Pilotos.
Após terminar o Campeonato Mundial de Kart da FIA em 6º lugar na categoria OK, a qual ele foi um dos mais jovens pilotos a disputar, com 14 anos, Gianluca foi convidado para um campo de treinamento em Maranello, na Itália, sede da Ferrari.

O convite foi feito a oito pilotos em três etapas. No primeiro dia foi feito um teste físico e mental; no segundo, teste com simulador e, no terceiro, teste na pista com um Fórmula 4. “Esses três dias foram muito positivos, principalmente na pista. Foi a primeira vez que pilotei um carro e eu consegui ser bem rápido, fiz quase tempo de um outro piloto que já está na F4. Até para mim foi uma grande surpresa”, afirma o jovem.

No final de novembro ele foi convidado a integrar a academia em 2018 – um seleto grupo de apenas 9 pilotos do mundo – e a participar dos campeonatos italiano e alemão de F4.

Gianluca, que esteve em Alphaville na última semana, mora com a família em Miami, e após fevereiro terá Maranello como novo endereço. Estuda pelo sistema americano de Home School. Calmo e muito bem articulado, com um português irretocável para um jovem que saiu de Alphaville aos 13 anos, ele expressa maturidade e equilíbrio de um adulto.

Prodígio. Petecof finalizou o Mundial de Kart da FIA em 6º lugar. Fotos: Divulgação

Esses tempos no exterior parecem ter trazido uma aprendizagem importante a ele. Em 2017, correndo pela equipe Tony Kart e com o patrocínio da Shell, ele fez um upgrade à categoria OK, que é a mais competitiva e principal do kartismo mundial e agrupa pilotos de 14 a 25 anos, tendo alguns profissionais.

“São 80 pilotos, e desses, 30 podem ganhar a corrida. Eu consegui vencer baterias classificatórias. Fiz pole position na 3ª etapa do campeonato europeu em Le Mans, todo mundo separado por milésimos de segundos”, conta o jovem.

E mesmo quando sonha, Gianluca mantém as “sapatilhas” no chão. “O contrato com a Academia Ferrari tem alguns anos, eles buscam piloto saindo do kart para dar esse apoio por todas categorias (F4, F3 e F2) até a F1. Esse é o objetivo deles.

Hoje, pular de categoria afeta o piloto no futuro. Nas categorias de base o estilo de pilotar é mais engessado. Na F1, o piloto deve estar apto a mudar seu estilo de pilotagem. Por isso é essencial seguir todos passos até a F1.”

E se o objetivo é a F1, ele continua contando com patrocínio da Shell, que o apoia e lhe dá confiança, e agora com a Academia da Ferrari. “Quando você chega à Europa percebe o quanto é complexo esse mundo das categorias de base, nessa correria para chegar à F1, e com a academia você consegue ter um caminho mais bem traçado e, claro, com vínculo de equipe de F1 para realmente te levar para cima”, explica.

“Na F4 o piloto fica até 2 anos, e meu objetivo é estar confortável com o carro, pegar entrosamento com a equipe e, assim, me preparar para brigar pelo título”, finaliza.