20/01/2018
ECONOMIA
Jovens querem bem-estar, estudo e valorização no primeiro emprego
Levantamento aponta os principais pontos buscados por quem ingressa no mercado de trabalho
Paulo Talarico

Uma pesquisa realizada pela Trendsity, a pedido do McDonald´s, aponta que 80% dos jovens esperam conseguir no primeiro emprego “bem-estar” e conciliar os estudos. Ao mesmo tempo, praticamente o mesmo número de ingressantes no mercado de trabalho sentem que a falta de experiência é a principal barreira para dar os primeiros passos na carreira.

Os dados foram divulgados nesta semana pela empresa e foi feito com base em 1.800 entrevistas, realizadas no Brasil em países como Argentina, Chile, Colômbia e Peru. O cenário dá uma ideia das perspectivas buscadas por adolescentes e universitários.

Depois do ‘Bem-estar e Estudos’, o item mais citado como expectativa foi a remuneração e o salário, citado por 46%, empatado com ‘que não exija experiência prévia’. Outros 40% mencionaram a chance de ter aprendizagem e desafios. Além disso, 63% querem se sentir valorizados e apoiados pelo empregador.

“Estamos falando desse jovem que estava na sala de aula e agora quer implementar toda essa gana na prática”, afirma Dario Neto, CEO da Eureca!, consultoria que auxilia empresas em seus processos seletivos de estágio. “Ele busca um ambiente que lhe receba bem, dê chance para que ele traga novas ideias, acredite nele, dê espaço e ofereça desafios”, ressalta.

Sobre a resposta ‘bem-estar’, Neto afirma que deve se tratar do ambiente cultural da empresa, que faça o contratado sentir que está evoluindo e que e tem importância para o que é desenvolvido no trabalho.

Quanto à experiência, contudo, as empresas buscam essas características, mesmo em vagas direcionadas para quem está iniciando sua jornada profissional, até por conta da concorrência. O Brasil tem quase 8 milhões de universitários. No entanto, alguém que ainda não tenha o emprego deve buscar atividades extras que complementem essa formação.

“Há uma série de oportunidades para se preparar, movimentos estudantis, uma pluralidade de eventos ligados a empreendedorismo, mobilização social, projetos de voluntariado e diversas plataformas”, comenta Neto. “As empresas buscam cada vez mais aqueles que também desenvolvam atividades extracurriculares, a vida fora da sala de aula”.

Um desafio para os empregadores é a interação dessa geração com as redes sociais e o ambiente eletrônico, em um grupo mais distante do analógico. “As estratégias de atração estão cada vez mais digitais, mas tem um contraste, muitas vezes, o jovem sente que faltou o olho no olho na seleção. O futuro é tecnológico, mas também é muito humano”, conclui Neto.

Além da experiência, os jovens também citaram a falta de oportunidades (77%) e a falta de confiança nesta geração (68%) como itens que barram a entrada no mercado.

A pesquisa divulgou ainda duas frases que tiveram grande adesão entre os ouvidos pelo estudo e que indicam o sentimento dessa fase antes de entrar no primeiro trabalho. “Dizem que o futuro está nas nossas mãos, mas precisamos que apostem em nós agora, no presente”, foi indicada por 78%. Perto desse percentual, 72% concordaram com um pedido de confiança. “Temos uma oportunidade histórica de fazer uma mudança positiva, só precisamos que confiem mais em nós”.