Era uma vez um País do Futuro  - Folha de Alphaville
03/08/2018
COLUNISTAS
Era uma vez um País do Futuro 
 Inicio este artigo trazendo um pouco da minha visão e preocupação com nossa atual infraestrutura modal, desatualizada, abandonada e ineficaz, frente a outros países  
Colunista da Folha de Alphaville

Como ser um País de ponta com a infraestrutura atual que possuímos?

E o pior, mesmo com a proximidade das eleições não vejo candidatos com planos reais e efetivos para mudarmos de patamar.

Nosso País tem um potencial gigantesco para acomodar diversas estruturas modais, totalmente integradas e atualizadas, sejam ferroviários, rodoviários, aéreos, aquaviários ou dutoviários, porém a realidade é totalmente diferente.

Somente seremos capazes de mudar esta realidade com planejamento, dentro de uma matriz de cobertura nacional, com muita seriedade, de forma interpartidária, com capital intelectual especializado e investimentos privados e amparados por uma nova regulamentação, que vise, sobretudo a desburocratização, sem interferência direta do Estado, atuando apenas como regulador de um Plano Nacional de Desenvolvimento.  

Apenas desta forma seremos capazes de superar nosso atraso, reduzindo drasticamente os desperdícios em nosso País e os atuais custos logísticos em transporte para as empresas que hoje utilizam estes modais, que representam a maior parcela das despesas em geral destas organizações, estimando-se em cerca de 60%, somado à carga tributária e encargos ligados a folha de pagamento.

Uma parte destas despesas é gerada pelo roubo de cargas e pela má conservação das estradas, cabendo a estas mesmas empresas investirem massivamente no monitoramento de cargas, planejamento de rotas e ações relacionadas à inteligência geográfica.

Com tantas despesas assim, como estas mesmas empresas podem investir em qualidade? Hoje, nossa frota de caminhões em circulação possui mais de 20 anos, acarretando uma série de dificuldades relacionadas à segurança nas estradas e cumprimento dos seus prazos, gerando ainda motoristas despreparados, jornadas de trabalho exaustivas e descumprimento das obrigações Legais.

Como podemos prosperar assim? Ao mesmo tempo, se Países como China e Coreia do Sul conseguiram, porque não podemos obter o mesmo êxito?

Precisamos entender de vez que nossa produção precisa ser levada para pequenas e médias distâncias através do modal rodoviário ou dutoviário e pelos modais ferroviário, aéreo e aquaviário para distâncias maiores, todos integrados numa matriz nacional, permitindo conectarmos os centros produtivos aos centros consumidores, tornando-nos mais competitivos em uma década frente a outros Países, que já estão numa economia em escala e globalizados.

Se quisermos realmente progredir, precisamos atualizar nossa malha férrea, com uma bitola única, permitindo-nos usarmos as mesmas linhas para transporte de carga como de pessoas, apostando em trens com tecnologia de ponta, como os que utilizam a energia solar já em desenvolvimento na Índia, ou mesmo trens movidos a hidrogênio em desenvolvimento na Europa, permitindo, inclusive eliminarmos em 100% a emissão de CO2 para a atmosfera.

O modal ferroviário precisa ser o elo de integração em nosso País, conectando todas as regiões ligadas ao agronegócio, mineração e industrial, garantindo desaguarmos a nossa produção nos principais centros consumidores ou mesmo levá-los para os principais entrepostos do mundo.

Este mesmo modal ferroviário precisa ser desenhado para transportar caminhões, como já ocorre em outros Países, garantindo assim ganhos altíssimos de tempo, agilidade e segurança dentro do mercado nacional.

Com estas ações para coletar, transportar e destinar com inteligência através do modal férreo, integrado a outros modais estaremos preservando também as rodovias e reduzindo os custos de manutenção, que são altíssimos, diminuindo também os acidentes e roubos em nossas rodovias. Todos saem ganhando!

As principais integrações do modal férreo sem dúvida seriam com aeroportos e portos, transformando estes em plataformas multimodais, garantindo eficiência superior, reduzindo tempo mais uma vez e custos de entrega, tanto para as exportações ou mesmo para as importações. Precisamos ser mais efetivos!

Com a redução do volume de caminhões no modal rodoviário, poderíamos investir em novas tecnologias para asfaltar as rodovias com mais rapidez e durabilidade, usando uma técnica chamada chip seal, onde tudo é feito praticamente ao mesmo tempo e o custo pode ser até 85% menor em relação à pavimentação convencional, dentre outras inúmeras tecnologias pelo mundo.

Com linhas férreas integradas aos aeroportos e portos e vice-versa, nossa produção para exportação já estariam em containers em sua origem e para aqueles dentro da região em caminhões já carregados, para percorrerem distancias curtas e médias, criando um ecossistema gravitacional das cidades mais próximas a estas capitais ou cidades menores consideradas estratégicas.

Ao mesmo tempo precisamos pensar mais à frente, criando condições no País para ingressarmos e acompanharmos também o desenvolvimento de novas tecnologias para uso da energia elétrica em caminhões, inclusive autônomos, que em breve serão realidades.

Através destas tecnologias que em breve farão parte do nosso cotidiano, teremos a capacidade para redução de gases nocivos e aumento da produtividade, uma vez que os autônomos podem rodar 24 horas por dia e 07 dias por semana, sem intervalos, resultando em uma drástica redução de acidentes nas estradas e dos custos envolvidos.

Sem duvida há muito mais para falarmos e em breve, através de outros artigos, estarei trazendo inúmeras soluções em desenvolvimento pelo mundo, que ainda estão longe de se tornarem realidade por aqui, tais como: hyperloop, carro radioativo, barco de supercavitação, martin jetpack, velo-city, skylon, scarab, skytran, straddling bus, clip air, dentre outros.

Se quisermos concorrer na ponta, precisamos desenvolver centros de excelência para pesquisa e desenvolvimento no País.

Por fim, o sinônimo de Logística é a Estratégia, e sem esta não chegaremos a lugar algum.

Todos os dados são públicos.




Ricardo Cancela é entusiasta em inovação, empreendedor, palestrante e conselheiro em empresas