Vinho do Porto e sua história - Folha de Alphaville
03/08/2018
COLUNISTAS
Vinho do Porto e sua história
Já se produzia vinho no Alto Douro desde pelo menos o século III, mas destinado somente ao consumo local
Colunista da Folha de Alphaville

Foi apenas a partir do final do século XVII que os ventos começaram a mudar, iniciando o caminho que levou o Vinho do Porto ao que é hoje.

Nessa época, a França, principalmente Bordeaux, era o principal fornecedor de vinhos para o mercado inglês. Porém, disputas políticas entre França e Inglaterra levaram ao Rei Charles II da Inglaterra a decretar embargo aos produtos franceses, inclusive o vinho. Isso aumentou a procura dos comerciantes ingleses pelos vinhos da Península Ibérica. Na época, Portugal e Inglaterra já possuíam laços comerciais diferenciados, e comerciantes ingleses tinham o direito de residir em território português, e de comercializar em condições de igualdade com os locais.

Os primeiros vinhos a serem importados pelos ingleses eram leves e adstringentes, produzidos em um clima muito úmido, o que não foram do agrado dos consumidores ingleses, e levou os comerciantes a seguirem terra adentro, procurando por vinhos mais robustos.

Encontraram a qualidade que queriam no Alto Douro, região quente e árida. No entanto, o escoamento da produção por terra era impossibilitada pelo terreno montanhoso, e o vinho precisava ser escoado de barco, pelo Rio Douro, até a cidade do Porto. Os comerciantes passaram, assim, a se estabelecer na cidade do Porto, de onde o vinho seguia viagem para a Inglaterra.

Para que a bebida resistisse às longas viagens marítimas, os comerciantes ingleses acrescentavam aguardente nos barris. Os marinheiros logo perceberam que, além de conservar o vinho por mais tempo, a adição de álcool também realçava o sabor da bebida (e aumentava seu poder de embriaguez!) e acabaram criando, sem querer, a fórmula do vinho do Porto. Um acaso que deu certo!

Para garantir o monopólio sobre a receita, em 1914, o governo português assinou com a Inglaterra um contrato determinando que o vinho do Porto somente deve ser produzido com uvas da região do Vale do Rio Douro. Contrato válido até hoje.

Conhecido como um potente remédio para todos os males, até os idos de 1940, o Vinho do Porto foi fazendo história nas vidas das famílias pelo mundo, do avô aos netos, todos consumiam uma pequena dose diária como preventivo para todos os males!

Vinho rico em cor, aroma e sabor, o Porto é como um filho que pode ser educado por quem o cria. Diversos são os estilos desse vinho e cada um desses estilos tem um público cativo que o aprecia.

O mais desejado de todos é o Vintage, que nada mais é que uma seleção natural onde somente 2% de toda a produção de um ano é considerada Vintage. Se consumido jovem, apresentará uma explosão de sabores a frutas vermelhas maduras, ou pode-se deixar por dezenas e dezenas de anos a envelhecer na garrafa, que suas qualidades serão mantidas.

O tipo LBV - Late Bottle Vintage - reúne uma explosão de cor e sabor a frutas, é um vinho ideal para acompanhar uma gama enorme de queijos e sobremesas robustas. Por Lei, este tipo de Porto só vem ao mercado após 7 anos de sua colheita.

Os Vinhos do Porto com Denominação de Idade 10, 20, 30, ou 40 anos, demonstram um trabalho da natureza aliados a sabedoria do homem em preservar esses vinhos que, ao oxidarem ganham cores inebriantes e aromas que vão dos frutos secos a baunilha. Grandes companheiros dos tradicionais doces portugueses a base de ovos.

Os Porto Colheita chamado também de Porto de Aniversário, é deixado pelo homem a fazer sua vida em pipas de 550 litros por tempo indeterminado e ao ser engarrafado, recebe a chancela do ano que foi produzido.

Por fim a linha de Portos comuns ou tradicionais, White, Tawny ou Ruby, são vinhos jovens com no máximo 6 anos, mas que podem resistir ao tempo que quisermos, porque a máxima: “Quanto mais velho, melhor” é totalmente válida na vida do Vinho do Porto.

Para que então resistir a essa explosão de cores, aromas e sabores ??




Luciana Zarif tem formação jurídica e é sommelière há 10 anos na área do vinho. É também especialista e consultora e atualmente trabalha na V&A Vinhos e  azeites.

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