Terroir, um conceito magnifique!   - Folha de Alphaville
11/06/2018
COLUNISTAS
Terroir, um conceito magnifique!  
Já ouviu alguma vez na vida alguém dizendo a palavra “terroir”?
Colunista da Folha de Alphaville

 

Na verdade pronuncia-se “terruár”, e trata-se de um termo de origem francesa que, literalmente define uma extensão limitada de terra. Há milênios, o universo da vitivinicultura (viti = cultivo da uva e vini= produção do vinho) foi se apropriando do conceito, que passou a compreender características específicas referentes à geografia, à geologia e ao clima de um lugar, que interagem com a genética de determinada planta e com o estilo e as tradições de elaboração e vinificação de determinada região.

 

Basicamente, terroir é a combinação das características peculiares de clima, solo e técnicas de cultivo e produção específicos de uma localidade (tão grande quanto uma região ou pequena quanto um vinhedo) que transmitem ao vinho um aspecto singular.  

Um pouco mais de sol em uma parte do vinhedo, uma irrigação menos abundante ou um terreno mais elevado são capazes de gerar um vinho completamente diferente dos outros produzidos com uvas de apenas alguns metros de distância.

Ou seja, como pode perceber, terroir trata-se de um conceito e não de mera tradução literal.

No mundo do vinho, a palavra é bastante utilizada para definir a singularidade que diferentes variedades de uva assumem em cada região em que são plantadas. Ou seja, em cada região é um conjunto de fatores. É muito comum ouvirmos em roda de amigos assuntos como: “A Cabernet Sauvignon adaptou-se magnificamente ao terroir do Vale do Maipo, no Chile”, ou então “A Chardonnay é uma casta bastante versátil”

 Algumas regiões souberam se consagrar internacionalmente em virtude das características agraciadas de seus microclimas. No entanto, é comum vermos locais onde o terroir não é muito valorizado, já que produtores investem em plantações de grandes rendimentos (o que acaba sugando todos os nutrientes do solo e deixando os frutos menos ricos) ou mesmo colocam num só blend (mistura) uvas colhidas de diferentes lugares. Isso não é necessariamente ruim, já que a estratégia barateia bastante a produção e propõe um estilo diferente – mais leve, simples e fácil de beber.

Bem, agora que você já sabe a definição deste termo tão querido pelos enólogos e sommeliers, está na hora de colocar seus conhecimentos em prática. Que tal degustar um Bordeaux, um toscano e um Douro, lado a lado, e descobrir as características de cada terroir?

 




Luciana Zarif tem formação jurídica e é sommelière há 10 anos na área do vinho. É também especialista e consultora e atualmente trabalha na V&A Vinhos e  azeites.

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