Política e azeitonas: tudo a ver? - Folha de Alphaville
13/05/2018
COLUNISTAS
Política e azeitonas: tudo a ver?
Na antiguidade o azeite era moeda de troca bem como a base do comércio,
Colunista da Folha de Alphaville

Na antiguidade o azeite era moeda de troca bem como a base do comércio, também conhecido como “ouro líquido”.  Política e azeitonas andam juntas desde a antiguidade. A adulteração de azeite é algo tão antigo quanto o próprio fruto. Oliveiras são árvores valiosas, místicas, até mesmo milenares e com todo seu encanto trazem boa sorte. A cultura mediterrânea idolatra seus frutos. É de fundamental importância ressaltar que a plantação e olivais na região europeia, especificamente me Portugal são milenares.

Vale lembrar que são necessárias 1.300 à 2.000 azeitonas para produzir 250ml de azeite!

Ainda que a fruta (sim! a azeitona é uma fruta!) seja rica e o processamento tão limpo e eficiente que o azeite resiste, é mais seguro procurar produtos certificados com selos de denominação de origem, regulamentados por órgãos internacionais e associações.

Com tantas informações desencontradas, vale a pena pagar mais pelos azeites certificados.

Se formos aprender com a sumidade no assunto, Patrícia Galasini – Embaixadora do Azeite no Brasil, a mesma afirma com propriedade que os bons azeites importados, atualmente não conseguem custar menos do que 20 reais, pelo simples fato de que considerando impostos e outros custos de importação de um azeite de uma área certificada internacional, seria impossível o mesmo chegar às mãos do consumidor  a um custo menor do que este.

O azeite pode ser usado de duas formas: ao preparar e cozinhar um prato bem como somente no momento do grand finale do tempero. Ao cozinhar o alimento as propriedades são inseridas no alimento, a comida se torna saudável e tem a famosa “gordura do bem”, ainda que calórico. Ou ainda que seja usado somente no final, seu sabor incomparável e propriedades completam a obra prima.

Até 0,8% de acidez o azeite recebe a denominação de azeite extra virgem. o ideal é atentar-se para adquirir somente os que constem no rótulo a sigla DOP – Denominação de Origem Protegida – trata-se de uma certificação instituída pelo Comitê Oleico Internacional através de normas internacionais europeias. Se puder optar pelos que tem vidro mais escuro, ainda melhor, pois assim preserva-se com mais facilidade as propriedades do azeite.

Os melhores azeites são produzidos no Mediterrâneo - Espanha, Itália, Portugal, Grécia, Tunísia. Mais ligados a cooperativas, os portugueses têm se destacado nos últimos anos. A produção ainda é pequena e profundamente ligada às regiões viníferas - onde há bom vinho, costuma haver bom azeite. Regiões da beira interior como Alentejo e Trás-os-Montes se destacam, neste último há uma rota específica certificada e magnífica.

A rota do azeite de Trás-os-Montes, foi criada com o objetivo de estimular o desenvolvimento do potencial turístico e comercial do setor oleícola na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, nas diversas vertentes da sua cultura, produção e comercialização como produto de qualidade e ao mesmo tempo proporcionar a descoberta da paisagem e da gastronomia da região.

Desfrute! 


 




Luciana Zarif tem formação jurídica e é sommelière há 10 anos na área do vinho. É também especialista e consultora e atualmente trabalha na V&A Vinhos e  azeites.

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