Como seremos amanhã - Folha de Alphaville
26/04/2018
COLUNISTAS
Como seremos amanhã
Colunista da Folha de Alphaville

O caminho da humanidade, em sua maior parte, foi quase sempre na direção do progresso e o mundo hoje é melhor do que era, e por mais difícil que seja acreditar, estamos mais próximos do que nunca do paraíso e, portanto, o espaço para a catástrofe também é maior.

Este equilíbrio é crucial, visto que em breve teremos um ciclo frenético de máquinas inteligentes que se auto-aperfeiçoam e provavelmente em 2045 esse fenômeno estará num patamar muito mais avançado, inclusive a forma como vamos interagir com estas maquinas.

Imaginem estas interações sem a necessidade de emitirmos um único som? Isso já está em fase avançada e foi desenvolvido por pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) que elaboraram um dispositivo que consegue compreender palavras ditas, sem que as pessoas vocalizem, a chamada subvocalização.

Intitulado de AlterEgo, o aparelho funciona pendurado sobre a orelha, descendo no contorno do maxilar e encaixando com uma tarja entre a boca e o queixo, e por meio de eletrodos é capaz de captar sinais das palavras pensadas, mas não ditas, por meio de vibrações que produzem som diretamente aos ossos dentro do ouvido, sem a necessidade de um fone.

Em breve seremos uma mistura homem e máquina, com componentes internos e poderemos sim interagir com qualquer equipamento munido de sensores ou com inteligência artificial embarcadas, permitindo uma extensão real de nossa cognição. 

Esta evolução está tão rápida que já estamos presenciando o que parecia ser impossível: o nascimento do primeiro “bebê” oriundo de inteligência artificial.

Mesmo estando ainda esta num estagio insipiente, pasmem, isso já aconteceu! Ele foi criado para gerar outras inteligências artificiais visando assim simplificar o trabalho dos pesquisadores do Google Brain, o braço da empresa focado em pesquisas.

Ela surgiu com capacidades superiores a programas desenvolvidos e programados por humanos, tendo o comportamento parecido com o de uma criança, testando soluções para seus problemas e corrigindo-os, sempre guiados pela inteligência artificial “mãe”.

Em resumo, intitulado de AutoML, os pesquisadores de inteligência artificial do Google ensinaram um software de aprendizado de máquinas a construir softwares de aprendizado de máquinas cada vez melhores.

E em paralelo e em andamento, talvez esteja o maior e mais ambicioso de todos os projetos de pesquisa do cérebro humano lançado pelos EUA, e acredita-se que aproximadamente em duas décadas possamos enfim decifrar o “código cerebral”, tal e como realizamos com o genoma humano.

A partir deste ponto poderemos compreender como 85 bilhões de neurônios disparam e se conectam entre si para gerar memórias, idéias, gerar emoções, prover nossa imaginação, inclusive nosso comportamento e assim descobrirmos a essência do que somos.

Podemos até afirmar que em 2050 teremos a capacidade de analisar a atividade cerebral dos seres humanos e assim, como um passe de mágica, saber o que cada pessoa está pensando ou mesmo manipulá-la para controlar seus atos.

Realmente chega a ser assustador olhando desta forma, porém se analisarmos positivamente poderemos aumentar as habilidades mentais dos seres humanos e ajudar de forma conclusiva pacientes com doenças cerebrais, neurológicas ou mesmo mentais.

Oriundo da Universidade de Stanford, a diretora do laboratório de visão computacional da instituição Fei-Fei Li, passou as últimas duas décadas ensinando computadores a enxergar, com o objetivo de criar olhos eletrônicos para robôs e máquinas e torná-los capazes de entender o ambiente em que estão.

Metade da nossa capacidade cerebral é usada no processamento visual, algo que fazemos sem um grande esforço aparente, assim em vez de só nos concentrarmos em criar algoritmos cada vez melhores. A idéia é dar aos algoritmos o treinamento que crianças recebem por meio de experiências, quantitativamente e qualitativamente.

Por fim, depois disso, ainda assim restarão elementos da mente humana, como sonhar acordado que máquinas “nunca” serão capazes de replicar. Ao mesmo tempo precisamos estar conscientes de que a habilidade destes computadores vem melhorando e que a inteligência artificial estará entrando em sua era de ouro, tornando-se mais eficiente daqui em diante.

Todas as informações acima são públicas.




Ricardo Cancela é entusiasta em inovação, empreendedor, palestrante e conselheiro em empresas