07/05/2015
CIDADE
Santuário de animais tem de deixar a região e pede doações
Rancho dos Gnomos sofre com crescimento desordenado
Thieny Molthini
Fotos: Maurício Maranhão/Folha de Alphaville

Aos 26 anos, a ideia de Silvia era se casar com Marcos e ir morar no exterior, onde já vivia com sua família, mas não foi bem assim que aconteceu. Silvia trabalhava como designer de interiores, já Marcos era funcionário público, eles formalizaram a união e passaram a viver em um espaço de 33.780 m², em Cotia, que pertencia à família de Silvia desde 1960.

O espaço fazia parte de uma área de preservação ambiental, um lugar ideal para se tornar um santuário animal. Foi com cães e gatos, depois uma cabra e o e número de resgates crescendo que o casal precisou tomar a decisão de deixar o dia a dia de trabalho que estavam habituados a adotar e passaram a se dedicar exclusivamente ao Rancho dos Gnomos.

Hoje, 24 anos após o início do projeto, o santuário mudará para Minas Gerais devido ao crescimento desordenado da região, mas para isso eles têm até o dia 6 de junho para arrecadar R$ 1,2 milhão para a compra do terreno de 180 mil m² em Gonçalves (MG), para onde pretendem se transferir. A cada R$ 10 doado é possível garantir 1 m² de terra. “Vamos levar o Rancho e continuar desenvolvendo aquilo que acreditamos. Nossa expectativa é a melhor possível”, diz Marcos.

A função do Rancho é tratar de animais vítimas da crueldade e dos reflexos negativos da urbanização sobre os ecossistemas até seus últimos momentos de vida, quando ficam “livres” desse mundo, como os voluntários que atuam no local costumam dizer. Lá os animais não são tratados para realocação na natureza, até porque, não só pela falta de recurso financeiro, mas também de local para isso. Por norma, os animais também não podem reproduzir. O Rancho é um órgão “mantenedor da fauna”. Para tanto, alguns animais são castrados. Por isso parte dos leões do local não têm juba, já que devido a alterações hormonais seus pelos caem.

Os casos atendidos vão de cães abandonados a vítimas do desmatamento, cerol e resgatados de circos e zoológicos. Um dos leões do Rancho viveu por anos em uma frigorífico depois de ser oferecido pelo dono do circo em troca de carne.

No santuário animais vivem em harmonia. “É inacreditável, como os gnomos”, brinca Silvia. Ao avistarem o casal, araras e onças pardas se aproximam deles e os leões se encostam nas grades para um momento de afago e carinho.

Sem auxílio do poder público, o Rancho tem um mês arrecadar o valor para comprar o novo terreno em Minas Gerais – sem considerar transporte e obras. “A cidade cresceu e a gente não se encaixa mais”, pontua Silvia. As doações podem ser feitas pelo site: www.ranchodosgnomos.org.br.