Alexia Dechamps protagoniza  nova montagem de "Senhora dos Afogados" - Folha de Alphaville
24/02/2018
CADERNO A
Alexia Dechamps protagoniza  nova montagem de "Senhora dos Afogados"
Peça estreou sexta-feira (23), no Teatro Porto Seguro
Graziela Costa
Ela vive Dona Eduarda, mulher maltratada pelo marido Foto: Carol Beiriz

Estreou no palco do Teatro Porto Seguro, na sexta-feira (23), nova montagem do clássico “Senhora dos Afogados”, de Nelson Rodrigues. A peça faz parte da saga mítica rodriguiana assim intitulada pelo crítico Sábato Magaldi. Escrita em 1947, segue a linha de “Álbum de Família” (1945), “Anjo Negro” (1946) e “Dorotéia” (1949). O espetáculo traz uma forte simbologia que se aproxima das tragédias gregas, em que os clãs familiares se entredevoram num inferno de culpas desmedidas. Jorge Farjalla, que dirige outro clássico de Nelson Rodrigues, depois de Dorotéia, terá no elenco Rafael Vitti, Alexia Dechamps, João Vitti e Letícia Birkheuer.

“Será uma montagem feita não para chocar e sim para refletir. A sociedade está indo para um lugar retrógrado, confundindo liberdade de expressão com exibicionismo. Não quero que o meu modo de ver ou olhar para a obra de Nelson seja rotulado ou criticado sem embasamento. Ao contrá- rio, vamos pensar juntos; não consigo desassociar religião e rito de sua odisseia mítica”, explica Farjalla.

A trama mostra a história da família Drummond, que ostenta uma tradição de três séculos, com mulheres que valorizam a fidelidade conjugal. Durante a trama, o clã chora morte de Clarinha, uma das filhas de Dona Eduarda e Misael, que acaba se afogando. Em outra ponta, a montagem também destaca a vida das garotas do cais do porto, que interrompem a rotina de trabalho para lembrar uma ex-colega, morta há 19 anos.

Alexia Dechamps, que participou da encenação de “Dorotéia”, agora divide este segundo projeto com Farjalla assumindo a protagonista Dona Eduarda, junto com Karen Junqueira (Moema, irmã do Paulo), que está fazendo Rita Cadillac no cinema. “Dois projetos com o mesmo autor e diretor, um trabalho de identidade de companhia, me colocando num lugar de risco do início ao fim, me provocando e instigando é algo que preciso celebrar. Certamente um momento único, feliz”, comemora ela.

Mulher intensa e silenciosa
A personagem, segundo Alexia, é uma mulher intensa e silenciosa, com sentimentos reprimidos, que não se dá com a filha e é muito maltratada na casa pelo marido. “Ela tem uma ânsia imensa de ser amada, mas não é por ninguém, apenas pelo filho. Então, dentro dela, há um vulcão fervilhando”, explica. Essa não é a primeira vez que Alexia faz a atriz principal. Em 2012, ela protagonizou a peça “Filha, mãe, avó e puta”, com direção de Guilherme Leme, onde retratou a vida de Gabriela Leite. “Ela era filha de um aristocrata paulistano com uma dona de casa analfabeta, que frequentou os melhores colégios da capital paulista, entrou na USP onde estudou filosofia e sociologia, mas por ter ficado grávida e ser rejeitada pela mãe, tornou-se prostituta na Boca do Lixo. Foi maravilhoso”, relembra.

Entre os planos, ela pretende, em breve, atuar em “Hamlet Machine, do dramaturgo alemão Heiner Müller. “Tenho priorizado a teatro e a causa animal. Sou ativista de alma”, diz.

Serviço
"Senhora dos Afogados" - Teatro Porto Seguro - Al. Barão de Piracicaba, 740 - Campos Elíseos São Paulo. De 23 de fevereiro a 29 de abril. Sextas e sábados, às 21h e domingos, às 19h. Ingressos: R$ 90,00 plateia R$ 70,00 balcão/frisas. Telefone (11) 3226.7300