“Tenho a impressão de que não errei minha vida”, diz Nathalia Timberg - Folha de Alphaville
09/02/2018
CADERNO A
“Tenho a impressão de que não errei minha vida”, diz Nathalia Timberg
Atriz estreia curta temporada do espetáculo “Chopin”,  em que dá voz a depoimentos masculinos sobre o músico
Graziela Costa
Aos 88 anos, atriz encarna pela primeira vez personagem masculino Foto: Heloisa Bortz

Aos 88 anos, Nathalia Timberg sobe ao palco para estrear “Chopin ou O Tor­mento do Ideal”, em curta temporada, no Teatro Porto Seguro. Na montagem, a atriz interpreta pela primeira vez em sua carreira personagem masculino, ao lado da pianista Clara Sverner.

Partindo de recortes textuais da vida de Chopin, cartas de George Sand entrelaçadas com declarações e poemas de Musset, Liszt, Baudelaire, Gérard de Nerval e Saint-Pol-Roux, o espetáculo ilumina, neste encontro de música e palavras, vinte anos da vida e da obra do compositor, criando uma possível subjetividade acerca de sua biografia com a objetividade e a poética do seu contexto histórico.

Em “Chopin ou O Tormento Do Ideal”, texto e música marcam os acon­tecimentos e apresentam uma persona­gem dividida entre um cotidiano vivi­do, às vezes, dolorosamente e um ideal inatingível. “É um concerto da pala­vra. Esses autênticos depoimentos dão uma visão multifacetada de Chopin, por ele próprio e por essas pessoas que conviveram com ele. O Robert Schu­man se referindo a Chopin dizia que ‘a alma da música andou pela terra’ e a Clara Sverner é uma das nossas maio­res intérpretes. Esse espetáculo foi um acerto, me sinto privilegiada por estar nele”, comentou a atriz. Sobre o per­sonagem masculino, Nathalia tem sua versão. “Os depoimentos vêm da alma, independem do gênero, são a essência de Chopin”, ressaltou.

No ano passado, ela encenou “33 Variações”, peça do venezuelano Moi­sés Kaufman, com direção de Wolf Maya, que gira em torno das 33 varia­ções criadas por Beethoven, no século 19, para a valsa do compositor aus­tríaco Anton Diabelli. “Se lá o enredo traçava o paralelo entre a história de uma musicóloga que luta contra a es­clerose e o genial autor que enfrenta a surdez, aqui são iluminados 20 anos da vida e obra de Chopin a partir de car­tas e declarações de seu grande amor”, conta Nathalia.

Teatro e música clássica
Com Chopin, a atriz volta a experi­mentar o prazer de unir teatro e música clássica. “Eu tenho grande alegria em reunir o público de teatro e de músi­ca clássica, não sei por que no Brasil as artes mantêm comportamentos es­tanques, eu gosto de reunir tudo isso. O teatro é a arte mais que engloba todas as outras e ver isso concretizado numa pla­teia me faz muito bem à alma”, resumiu.

A montagem original teve sua es­treia nos primeiros meses do ano de 1987, no Théâtre de la Gaîté-Montpar­nasse, em Paris. O pianista Erik Ber­chot, vencedor do prêmio Frédéric Chopin de Varsóvia (1980), uniu seus talentos aos do ator e autor Philippe Etesse para compor o espetáculo.

Após a temporada no Brasil, Chopin deve seguir para Portugal e Orlando. “Essa montagem tem sido muito bem recebida porque vem responder a uma necessidade muito grande do público de espetáculos que falem à sensibili­dade”, avalia.

Serviço
CHOPIN OU O TORMENTO DO IDEAL
com Nathalia Timberg e Clara Sverner
Direção de José Possi Neto
Al. Barão de Piracicaba, 740
Campos Elíseos - São Paulo
Tel.: (11) 3226.7300
Até 18 de fevereiro - Sexta-feira
às 21h. Sábados e domingo, às
19h. Ingressos: R$ 80,00 plateia
e R$ 50,00 balcão/frisas.