Crise leva brasileiros a considerar mudança de carreira - Folha de Alphaville
04/01/2018
CADERNO A
Crise leva brasileiros a considerar mudança de carreira
Brasileiros avaliam novas perspectivas na profissão
LOJA. Após 40 anos no ramo da TV, Paulo Ricci curte nova loja de vinhos e azeites (Foto: Rodrigo Albertini/Folha de Alphaville)

Diante do cenário de crise econômica – que culminou com 12,6 milhões de pessoas desempregadas no país no fim de 2017, segundo o IBGE – muitos brasileiros têm cogitado uma das mais radicais mudanças: a de carreira. Os motivos vão desde a decepção com o mercado de trabalho até a descoberta de novos interesses.

Segundo a coach e psicóloga Déborah Stroebel, de Alphaville, a virada do ano tem sido um gatilho para muitas pessoas, mas é preciso ficar atento para que os desejos não sejam passageiros. “Não existe um roteiro pronto quando se deseja fazer uma mudança de carreira, mas o autoconhecimento e planejamento são essenciais antes da tomada de decisão”, explica.

Por sua experiência com recolocação no mercado, Renata Motone, Coordenadora de Recursos Humanos da consultoria de RH Luandre, que tem unidade em Alphaville, avalia que a principal motivação é a possibilidade de mais sucesso e novos aprendizados. Para ela, é fundamental seguir alguns procedimentos para uma transição mais tranquila e sem sobressaltos financeiros ou emocionais.

“Aconselhamos uma boa pesquisa. A pessoa sempre tem uma noção sobre suas preferências pessoais, o que facilita a busca. Um bom caminho é assistir palestras ou matricular-se em workshops e cursos com profissionais da área em que pretende atuar”, ensina Renata.

Outra questão importante é rever sua rede de contatos e reestruturá-la de acordo com a nova área de atuação; fundamental para quem pretende se estabelecer em um novo segmento profissional. “O Linkedin (rede social de negócios) é um ótimo aliado nesta tarefa, pois reúne diferentes profissionais, de várias empresas, em uma mesma rede social, permitindo que você apresente seu novo perfil e conecte-se com pessoas que tenham interesses em comum”, ressalta.

A especialista também disse que o momento requer humildade. “Ser humilde não significa ser frágil e sim compreender que ao mudar de área, inevitavelmente, terá muito que aprender. Use isso a seu favor e aproveite para absorver tudo o que puder.” Uma virada na carreira não é algo simples, exige planejamento e condições favorá- veis. “Seja prudente e avalie o impacto da mudança em sua vida. Mesmo que não tenha como investir numa mudança radical, não desista. Estabeleça metas e poupe o quanto puder”, aconselha Renata.

Veterinária há 17 anos, Christina Meliunas, 49, moradora de Alphaville, sempre teve o desejo de fazer uma segunda faculdade. Após assistir uma reportagem sobre violência doméstica, decidiu-se pelo Direito. “Refleti que já tinha passado muito tempo ajudando animais e que era a hora de ajudar pessoas.”

Ao voltar para a faculdade com 44 anos, e ainda atuando com acupuntura de animais, Christina conta ter estudado – e aprendido – com pessoas muito mais jovens. “Na minha sala de aula, na UNIP, estudei com amigos dos meus filhos. As pessoas do meu círculo social diziam que eu era doida por recomeçar. Hoje, advogada, sei que essa segunda faculdade foi a melhor escolha que já fiz: aprendi muito, ganhei autoconfiança e mostrei para minha família que é possível mudar de caminho e ainda sim, vencer.”

Meiri Borges, 35, mudou de carreira por necessidade financeira. Após período nos Estados Unidos, a jornalista de Alphaville encontrou dificuldade no mercado de trabalho e decidiu vender alguns vestidos comprados na viagem. Assim surgiu a ideia de lançar sua própria marca de vestidos de festa, By Meiri Borges. “É tudo muito recente e estou me preparando para o mercado com cursos específicos, mas posso afirmar que hoje trabalho com algo que amo.”

Já para Paulo Ricci, 63, que trabalha com televisão há 40 anos, a mudança foi gradual. Mantendo projetos paralelos na TV, o morador de Alphaville abriu, ao lado de dois sócios, a loja V&A, Vinhos e Azeites, que possui loja física para degustação de produtos e vende por e-commerce. “Empreender no Brasil não é nada fácil, mas busquei um negócio um pouco mais tranquilo para mim, que me dá prazer, e com amigos que têm os mesmos interesses. Após tanto tempo na mesma área, tem sido um desafio bacana”, conta.