06/11/2009 00:51
Leonardo Calixto
O mercado de ações há muitos anos vem desafiando os mais variados tipos de investidores. E o maior desafio é entendê-lo. E o objetivo de muitos deles é o ganho fácil e rápido adotando premissas e modelos milagrosos. Qualquer nova solução para desvendar os mistérios deste mercado, que prometa ganhos quase certos, é bem visto e seguido. Para a grande maioria das pessoas, investidoras ou não, aplicar em ações é quase uma loteria ou um jogo de cassino. Com certeza, um pouco de sorte é bem-vindo para qualquer um deles. Mas algumas diferenças importantes devem ser destacadas. A interferência humana nos resultados das empresas e na tomada de decisão entre comprar ou vender uma determinada ação é enorme, além de sofrer influência de muitas outras variáveis. Em contrapartida, quando se gira uma roleta, a sorte está lançada e as chances de ganho - definida pela teoria da probabilidade - estão definidas quando são encerradas as apostas. Já o jogo de pôquer conta com a habilidade do jogador e as chances de ganho estão muitas vezes pouco correlacionadas com a sorte nas cartas. Habilidades comuns para quem investe em mercados de risco, cujo controle emocional vale tanto quanto o lado racional das decisões baseado em fundamentos. Uma coisa é certa: os profissionais tendem tanto quanto os amadores a evitar o risco.
Peter Bernstein, em seu fantástico livro "Desafio aos Deuses: a fascinante história do risco" (Editora Campus, 3ª. ed. 1998), nos lembra que a história caracteriza-se o tempo todo por uma tensão persistente entre os que afirmam que as melhores decisões se baseiam na quantificação e nos números e aqueles que se fundamentam em crenças subjetivas sobre um futuro incerto. Uma controvérsia jamais solucionada. A discussão é sobre o quanto o passado determina o futuro. Bernstein destaca que uma coisa é estabelecer um modelo matemático que parece explicar tudo. Mas quando enfrentamos a luta do dia a dia, das constantes tentativas e erros, a ambiguidade dos fatos, assim como o poder das emoções humanas, pode destruir rapidamente o modelo. Realmente não podemos nos esquecer que nossas vidas estão repletas de números, mas às vezes esquecemos que estes não passam de ferramentas e não possuem alma.
Não precisaria nem dizer sobre a quantidade de trabalhos e hipóteses - algumas viraram teorias - sobre o fascinante mercado de ações. Os gênios de plantão estão por todos os lugares tentando - e muitas vezes conseguem! - vender novas "descobertas" ou modelos que são utilizados na física ou na biologia. É inacreditável como confundem as observações e características da natureza com o comportamento corrompido e especulativo - em algumas situações - das decisões humanas no mercado de ações. Eles só se esquecem de mostrar o nível de eficiência dos seus modelos e se já ficaram ricos com eles. Por outro lado o velho ditado: compre na baixa e venda na alta, é consequência direta de uma teoria conhecida como regressão a média que também merece críticas e põe mais dúvidas sobre as simplificações "impostas" por alguns matemáticos ao longo dos séculos 18 e 19 que perduram até hoje.