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Improvável, mas sincera. Amizade entre jornalista e sem-teto é tema do filme O Solista

Atualizado: 06/11/2009 00:44

Filmes traz Jamie Foxx e Robert Downey Jr. no elenco

Tatianna Babadobulos

Jornalistas, por função, são contadores de histórias. Procuram encontrar histórias que possam interessar o seu leitor. Na busca de mais um personagem, Steve Lopez, do Los Angeles Times, conhece um sem-teto que toca violino. A partir de então vai descobrir sua trajetória e é ela o tema de "O Solista" ("The Soloist"), longa-metragem que estreia sexta, 6.

Para viver o sem-teto Nathaniel Ayers Jr., o diretor Joe Wright (do sensível "Desejo e Reparação") escolheu Jamie Foxx, ator que é músico e atuou como protagonista de "Ray", sobre Ray Charles. Um filme realista, sobre a infância dura e a carreira de sucesso permeada por dramas do cantor cego.

Nesta fita, em vez do piano de Charles, Jamie toca violino e, com ajuda do jornalista – que contou sua história e motivou os leitores a ajudá-lo –, ganha um cello e faz, da sua música, a trilha sonora do longa. E, como uma poesia, une as imagens das pombas livres voando ao som do cello de Nathaniel.

Na pele do jornalista está Robert Downey Jr. (de "Homem de Ferro"). Um homem aparentemente duro, mas de coração mole.

Embora o solista do título se refira ao músico, o espectador pode perceber que o jornalista também faz carreira-solo. Isso porque mora sozinho (é divorciado e tem um filho em outra cidade) e vive sozinho na profissão, já que sua coluna depende apenas de si mesmo e dos personagens que vai encontrar no meio do caminho.

Baseado em história real e inspirado no livro escrito por Steve Lopez, o longa se apoia na história de vida do sem-teto, mas aproveita para discutir sobre amizade e a transformação que o humilde cidadão e morador das ruas de LA fez com sua vida ao conhecer o jornalista, mas também da transformação da vida desse jornalista, que viu na simplicidade do sem-teto a oportunidade de aprender como a vida pode ser bela e rica, principalmente quando se tem as pessoas certas ao lado.

São coisas distintas: um jornalista que estudou, trabalha em uma grande empresa, teve o casamento desfeito e mora em uma casa onde tem problemas com os animais que destroem a grama. Do outro lado está um morador de rua, proveniente de uma família humilde na costa leste dos Estados Unidos, que foi viver em LA com a justificativa de que é a cidade dos anjos, onde as pessoas são livres, o local onde seu ídolo Beethoven escolheu para viver, além de ter frequentado por um ano uma das escolas de música mais respeitadas do país. Mas sua esquizofrenia o fez escolher viver entre túneis, tocar a mesma canção em seu violino de duas cordas e carregar seus pertences dentro do carrinho de compras. Quando criança, era sonhador e tocava instrumentos já deitado na cama e fazia de seus braços, os acordes do violino.

O longa coloca em discussão a crise dos jornais americanos: atualmente, o Los Angeles Times contabiliza 40% menos leitores com idade até 35 anos.

Com narrações em off e diálogos bem-construídos de maneira a ter o espectador como testemunha, o diretor inglês promove uma história de superação que preza a amizade improvável entre duas pessoas distintas, que foi capaz de transformar suas vidas, ou melhor, a de milhares de outras envolvidas com a história comovente.


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