Atualizado: 30/10/2009 00:36
Encontro fez surgir a ideia de uma Câmara Técnica para cobrar ações da Sabesp
Nanci Dainezi
Prefeitos da cidade de Barueri, Carapicuiba, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Itapevi e Jandira, além de um representante do prefeito de Santana de Parnaíba, se reuniram com o presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Gesner de Oliveira, para discutir soluções e cobrar metas para a despoluição no rio Tietê, além da ampliação da coleta e tratamento de esgoto em toda a região. O encontro ocorreu na Câmara Municipal de Barueri na última quarta-feira, 28.
O prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PMDB), abriu a discussão, dizendo que a poluição do rio e a sua preservação são responsabilidades de todos: cidadãos, prefeituras e concessionária. "Não acho justo que uma rede de televisão responsabilize apenas os prefeitos das cidades pela atual situação do rio Tietê, principalmente porque assinamos um contrato de concessão dos serviços com a Sabesp há cerca de 30 anos. Queremos agora que a Sabesp faça a sua parte e trate de modo efetivo os esgotos domiciliares de nossa região e de toda região metropolitana de São Paulo", declarou.
Logo depois, passou a palavra para Gesner, que destacou a importância do encontro para que os problemas de saneamento e poluição sejam sanados pela Sabesp. "É impossível fazer esse trabalho sem parceria". Gesner destacou que a data limite para universalização dos esgotos na região metropolitana é 2018, mas se comprometeu a antecipar a data e tratar pelo menos de 50% a 70% dos esgotos de diversas cidades da região oeste até 2012.
O presidente da Sabesp também apresentou planilhas que demonstram os investimentos feitos na região oeste para o saneamento, que no total somarão R$ 125 milhões, e salientou que sem o investimento global na região metropolitana - previsto para US$ 1 bilhão na terceira fase do Projeto Tietê -, tudo o que se fizer localmente na região oeste não adiantará, pois o rio corre sentido interior e traz todo o lixo acumulado em suas águas.
José Carlos Alves, o Bananinha, prefeito de Pirapora, reclamou do não cumprimento do cronograma de obras da companhia. "Quero perguntar por que sempre ficamos de fora do cronograma quando há cortes de verba? Nós recebemos todo o esgoto da região metropolitana em nosso município e somos os que mais sofremos com a poluição do Tietê", declarou.
Roberto Ignátios, secretário municipal de Planejamento e Receita da Prefeitura de Santana de Parnaíba, que representou o prefeito Silvinho Pecciolli, disse que os números divulgados pela Sabesp sobre o montante de esgotos tratados na região metropolitana não batem com os números reais e que se sente pessimista com relação à data prometida para a universalização de esgotos proposta pela concessionária.
"Quando se diz que a região metropolitana de São Paulo produz 65 m³/segundos de esgotos e a Sabesp trata somente 16 m³/segundos, estamos falando de 25%, meta bem abaixo daquela prometida pelo antigo Planasa, quando do contrato de concessão (há 30 anos). Em antigas conversas que acompanhei, as metas de 100% de esgotos tratados pela Sabesp eram para 2010, depois 2014, agora 2018 e acho que se estenderá até 2025", disse Ignátios.
Os prefeitos de Jandira, Braz Paschoalin, de Itapevi, Ruth Banholzer, e de Carapicuiba, Sérgio Ribeiro, concordaram sobre a morosidade nos trabalhos prometidos pela Sabesp.
Ribeiro diz que "mais do que estatísticas e gráficos, todos podem perceber pelo rio que corta as cidades que há muito a fazer".
Ruth criticou a ação de serviços terceirizados pela Sabesp, dizendo que eles são de má qualidade e precisam ser melhor supervisionados. "Reclamo das coisas ruins, mas sou sempre otimista e quero acreditar que agora a Sabesp está com uma nova filosofia e cumprirá as metas propostas por ela mesma".
Paschoalin disse que a Sabesp deveria ser mais realista com relação aos prazos que promete. "Temos um contato cordial com a concessionária, mas precisamos de ações efetivas, pois já demorou demais".
O prefeito de Osasco Emidio de Souza, falou sobre o problema da poluição, que afeta a todos e se arrasta há anos e propôs a criação de uma câmara técnica de acompanhamento de metas e obras. Ficou pré-agendada para a próxima semana outra reunião, desta vez somente com os prefeitos, para se tratar da criação dessa câmara. Emidio também falou sobre o absurdo da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) de Barueri não tratar o esgoto da região. "Acho inconcebível que a região que cedeu o lugar para a instalação de uma grande estação de tratamento não tratar nada de esgotos das cidades do entorno".
Emidio também abordou a estrutura da ETE, que foi projetada na década de 1970 para ter capacidade de tratamento de 60 mil litros por segundo e que recentemente ampliou sua capacidade de 7/s mil para 9,5 mil/s.
Gesner respondeu às questões de todos os prefeitos, com ajuda de Paulo Massato Yoshimoto, diretor metropolitano da Sabesp. Gesner também aproveitou a reunião para explicar que a enchente que afetou famílias de Carapicuiba e Barueri, não foi causada pela comporta que rompeu, mas por uma soleira que impede o fluxo d'água. Ele também falou sobre o empréstimo de US$ 600 milhões conseguido recentemente pela companhia. O montante será destinado às obras de saneamento da 3a etapa do Projeto Tietê.
O presidente da Sabesp finalizou reiterando que se compromete a acelerar o que puder das obras e que em até 2012, de 50 a 70% do esgoto da região receberá tratamento adequado. O prefeito anfitrião Furlan deu por encerrada a reunião, dizendo que haverá muitas cobranças se as metas da Sabesp não se tornarem realidade.
Depois da reunião, os prefeitos da região e a equipe da Sabesp foram conhecer a ETE de Barueri. Lá, foram recebidos por Paulo Nobre, superintendente de produção do sistema de tratamento de esgotos da região metropolitana de São Paulo, que explicou a todos o funcionamento do complexo.