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Educação financeira

29/10/2009 23:53

Leonardo Calixto

Nos últimos 50 anos as empresas vêm desenvolvendo cada vez mais alternativas de melhorias em sua gestão com o objetivo de se manterem mais competitivas e rentáveis. Além dos ganhos obtidos em tecnologia, gestão financeira e operacional, pode-se dizer que o todo se traduz, basicamente, em atrair e reter bons profissionais, e proporcionar um ambiente de alta produtividade.
Uma das estratégias mais usadas é oferecer um pacote de benefícios diferenciado. Este pacote é mais complexo do que simplesmente um valor financeiro. Atualmente é composto por benefícios extras, desde os tradicionais planos de saúde e de previdência, treinamentos corporativos, ambientes para relaxamento - cafés, academia de ginástica, sala de leitura etc. - até assessoria de psicólogos. Tudo para se criar um ambiente organizacional de alta produtividade. Porém, tudo muito difícil de ser mensurado e avaliado, isto é, qual o real retorno sobre o investimento realizado pelas empresas.
Um "novo" benefício que as empresas começam - no mercado brasileiro, pois em outros países já não é tão recente - a avaliar com mais atenção é a educação financeira para seus funcionários. Existem muitos estudos, com diferentes nuances, mas com o mesmo objetivo, que constataram a forte relação entre produtividade e estresse nas finanças pessoais. Diríamos até que é bastante intuitiva esta "conclusão". O desafio ainda é como formatar e oferecer este tipo de benefício.
Destaco dois artigos de estudos desenvolvidos sobre a relação entre saúde financeira e saúde física e mental, e seus impactos na produtividade profissional e comportamento social. O primeiro, "Health and Wealth Connections" (Barbara O'Neill, PhD, Extension Specialist in Financial Resource Management Karen Ensle, Ed.D, Family and Community Health Sciences Educator Rutgers Coopetaive Extension) destaca que saúde e finanças pessoais estão ambas muito associadas a felicidade. Já o artigo "The Negative Impact Of Employee Poor Personal Financial Behaviors On Employers" (E. Thomas Garman,1 Virginia Tec, Irene E. Leech,2 Virginia Tech, John E. Grable, 3 Virginia Tech) demonstra que existe um custo substancial para as empresas causado pelo estresse associado à saúde financeira dos seus funcionários. E este custo é consequência da menor - ou baixa - produtividade destes trabalhadores que enfrentam problemas financeiros ou descontentamento em relação à sua situação financeira, explicada muitas vezes pela falta de direcionamento e educação financeira.
Nossa experiência comprova a dificuldade de se agregar, na visão do departamento financeiro de uma empresa, uma nova "despesa" cujo retorno financeiro é quase impossível de se mensurar. A miopia em muitas empresas ainda é uma realidade, e o que deveria ser visto como um investimento no capital humano é avaliado como capricho ou "coisas" da área de recursos humanos. É a gestão empresarial focada em números de curto prazo, mas sem visão estratégica de médio e longo prazo. É uma boa oportunidade para executivos e empresários refletirem sobre as pessoas, que precisam ser gerenciadas de forma cada vez mais inteligente conduzindo-as ao mais alto grau de motivação e satisfação pessoal e profissional, e recebendo delas mais comprometimento, eficiência e produtividade.


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