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Fiat 500

Atualizado: 08/10/2009 23:14

Hatch retrô chega da Polônia repleto

Carsale

Carros europeus são raríssimos no leque de modelos da Fiat comercializados no Brasil. O último foi o hatch Tipo, vendido entre 1993 e 1995, que se tornou grande sucesso de vendas na época – o que motivou sua produção nacional, entre 1996 e 1997. A procura pelo modelo foi tamanha, que o Tipo chegou a ultrapassar o Volkswagen Gol nas vendas por um mês, em 1995. Com o pequenino 500, a história é outra. O hatch subcompacto produzido em Tychy, na Polônia, tem proposta muito específica. Releitura do Nuova 500, carrinho popular lançado em meados de 1957 e que se tornou febre de vendas na Itália, o Cinquecento atual é um modelo de nicho. O desenho retrô e as dimensões pequenas o colocam em uma briga restrita com modelos como Volkswagen New Beetle, Smart Fortwo e Mini Cooper, os chamados 'funs cars'.


A marca espera vender por aqui 200 unidades mensais do modelo, que começa em R$ 62.870 e tem duas versões: Sport e a topo de linha Lounge, ambas equipadas com o bloco 1.4 litro 16V a gasolina de 100 cv de potência. Pelo preço inicial, a quantidade é até compreensível. O valor é equivalente ao pedido em automóveis nacionais médios, com espaço interno mais amplo e lista de série recheada desde as versões básicas.

Mudança de proposta

Os tempos, porém, são outros. No fim dos anos 1950, a Europa ainda juntava os cacos do período pós Segunda Guerra Mundial. Com cidades e populações devastadas, um carro básico e com preço acessível foi a receita de muitas montadoras para se reerguer. Um conceito que é a antítese do que propõe o novo Fiat 500. Desde a versão básica Sport, o pacote de série é farto. O carrinho tem ar-condicionado, direção elétrica Dual Drive com a função Sport, volante multifuncional revestido em couro com ajuste de altura, trio, computador de bordo, sensor de obstáculos, chave Keyless do tipo canivete e o sistema Blue&Me com rádio e tocador de CD e MP3, conexão Bluetooth, comando de voz e entradas USB e iPod.

Já entre os itens de segurança, o Cinquecento é ainda mais completo. Estão instalados freios a disco nas quatro rodas com ABS e distribuidor de frenagem (EBD), controles eletrônicos de estabilidade e de tração, além de sete airbags. Entre os aparatos tecnológicos, há ainda o Hill Holder, recurso que aciona o sistema de freios em ladeiras íngremes e evita que o veículo desça no momento em que o condutor tira o pé do pedal do freio para pressionar o acelerador. A versão Lounge é ainda mais recheada. São oferecidos de fábrica ar-condicionado automático digital e teto solar de vidro fixo. O interior ganha porta-objeto sob o assento do passageiro e os bancos são forrados com tecido em duas cores. Por fora, há molduras cromadas nos para-choques, nos espelhos retrovisores laterais e nas portas.

Uso urbano

Com a carroceria de duas portas e lugar para apenas quatro pessoas, o 500 é bem pequenino. Mede 3,54 metros de comprimento, por 1,63 m de largura e 1,49 m de altura e tem 2,30 m de distância entre-eixos. O porta-malas acomoda módicos 185 litros ( e 550 litros com o banco traseiro rebatido).

O sistema de injeção teve componentes trocados e foi recalibrado para o uso à gasolina brasileira, que tem entre 20% e 25% de álcool na composição. O mesmo ocorreu com a suspensão, que ganhou molas mais flexíveis e amortecedores mais rígidos.

Na parte mecânica, o modelo deu um salto tecnológico gigante. No fim dos anos 1950, o Cinquecento era empurrado por um motorzinho traseiro de 479 cm³, refrigerado a ar, com dois cilindros e 13 cv de potência - a cilindrada, inclusive, deu origem ao nome '500'.

Design

Mais que o motor ou o conteúdo, é no design que o 500 impressiona. As linhas inspiradas no modelo de 1957 estão mais encorpadas, mas mantêm o estilo clássico que fez do hatch subcompacto um fenômeno de vendas no passado. Na dianteira curta, chama a atenção os faróis duplos ovalados e o para-choques inteiriço, que integra a grade frontal.

A Fiat conseguiu ajustar os preços do Cinquecento de forma competitiva. São pedidos R$ 62.870 pela versão de entrada Sport, R$ 66.930 na versão Sport Dualogic, R$ 64.900 na configuração topo de linha Lounge e o valor máximo de R$ 68.970, da Lounge com o câmbio automatizado.

Apesar do valor, o Cinquecento ainda guarda uma vantagem diante dos concorrentes: é o mais contemporâneo deles. E tem o desenho e a fama herdados do Nuova 500. Uma pitada de nostalgia que pode fazer a diferença a seu favor.

Primeiras impressões

O ambiente interno do Fiat 500 agrada pelo design e pela arrumação. Os comandos ficam bem posicionados e o destaque é a alavanca do câmbio integrada ao painel, com manuseio prático. O visor redondo do computador de bordo ao centro é rodeado pelos relógios do contagiros e do velocímetro. Os ponteiros se cruzam e tornam a experiência ainda mais envolvente.

Durante o test-drive também foi possível notar o comportamento do câmbio automatizado Dualogic de cinco marchas. No trânsito intenso, a caixa agrada pelo conforto. Já com pista livre, surgem os inconvenientes engasgos nas trocas de relação. As borboletas atrás do volante suavizam os trancos e aumentam a interatividade ao volante. Aliás, no Cinquecento a intenção é essa. Um carrinho urbano de estilo, com uma pitada generosa de diversão.


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