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Revistas do Grupo Metromídia
       

Gratidão e respeito

Atualizado: 01/10/2009 22:32

Thomaz Rafael

O futebol não permite atitudes que fogem do chamado lugar comum. Jogadores que admitem um erro da arbitragem em favor de sua equipe são advertidos por seus treinadores. Árbitros que dão entrevistas após os jogos não podem falar sobre lances polêmicos (só não sei que outra razão existe para entrevistá-los) e os repórteres são ridicularizados pelos técnicos sempre que fazem uma pergunta um pouco diferente da pauta esperada por eles (como se os "professores" do mundo da bola fossem especialistas em jornalismo).
Uma outra mania no mundo da bola é condenar atletas que não vibram quando fazem gols em times que já defenderam. Nesta semana, o argentino Carlitos Tevez marcou dois gols na vitória do Manchester City, sua atual equipe, sobre o West Ham. Não comemorou e disse após o jogo que sempre terá um carinho especial pelo clube londrino, seu primeiro time no futebol inglês. Foi chamado de "gentleman" pelo técnico do West Ham, mas sua atitude foi ironizada por alguns jornalistas.
Já o brasileiro Kaká garantiu que não fará festa caso marque um gol no Milan, clube que defendeu por seis temporadas. Ainda não fez o esperado gol, mas também foi condenado por parte da imprensa.
Sinceramente, não vejo o menor problema nas atitudes de Kaká e Tevez. Pequenos gestos de gratuidão a um time, para muitos, não combinam com profissionalismo. Eu até concordo que futebol hoje em dia é "business", mas se trata de um negócio que mexe com paixão.
Como torcedor, sempre que vejo um ex-ídolo dando uma demonstração de carinho ao meu clube fico realmente feliz. Ao contrário, quando o craque que alegrava minhas tardes de domingo vira o vilão de uma rodada e celebra com entusiasmo o gol marcado em sua ex-agremiação, convenço-me inapelavelmente que aquele antigo amor virou mera estatística de almanaques.
Parabéns a Tevez, a Kaká e a outros que respeitam os antigos fãs. Para os que dizem que eles devem fidelidade aos clubes que pagam seus salários, retruco que eles são pagos para honrarem as novas camisas, jogando bem, lutando e fazendo gols. Até onde sei, comemorar com empolgação não está em nenhuma cláusula de seus contratos.


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